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O Viajante

terça-feira, 27 de janeiro de 2015


Surgia no leste um surto de vida, réstia da morte do oeste, sangue verde, corria cegamente entre as árvores, enxergava o que ouvia, ouvia o que enxergava, pobre menino sonhador, ao menos sabia que as nuvens não eram de algodão, mas um dia foi tão alto que o gelo que penetrava em suas veias, dissolvendo sua seiva, fez faltar-lhe força, pois tua queda era cegamente prevista, teu corpo chamegava, desfalecendo-se...
Foi desintegrado no seu próprio ar, teus destroços foram espalhados pelo universo, em outras dimensões.
Um pobre viajante encontrou o que parecia os restos de seu coração despedaçado, provavelmente por acaso, ou não... quem sabe? Mas seu coração ainda batia, num ritmo lento, ainda flutuava, derramava seu sangue verde lentamente...

De mim, por você

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014



O que seria de mim? Sem abraços, onde afagar-me o peito, ao atirar o coração a disparos rasantes de flechas.
O que seria de mim? Sem olhares, para chorar ao sorrir, e irrigar os meus belos jardins.
Mas o que seria de mim sem você? Onde quer que vá, eu irei, se não gritarei teu nome até minha voz morrer, e morrerei junto, sem você, e sem poder te dizer.

Só para constar que...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014



Só para constar que ainda respiro, talvez sobreviva e continue enxergando mal a noite. Vim aqui só para compartilhar esse momento trucidador, talvez, seja até porque eu gosto um pouco de auto-exilar-me. Ás vezes me sinto tão anormal neste planeta, que sinto meu corpo faltando algo, talvez mais dois braços, ou até um par de asas. Mas se quer saber mesmo, me sinto velho, mesmo na flor da juventude estou velho, talvez já tenha até morrido, e simplesmente esqueceram de me enterrar. Não sou mais o mesmo, nunca fui, talvez me arrependesse de certas coisas, não choro, já chorei, mas chorar não é arrepender-se, só lamento mesmo os dias em qual eu servi meu coração defumado, cercado de caviar, num molho especial, acompanhando de um malbec argentino. Sim, depois destes dias, escrever tem sido tão difícil quanto "respirar".


"O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade de escrever."
Thomas Mann

Frank o Inabalável

sábado, 14 de junho de 2014



Descia ela a avenida, gigante e pomposa, um esplendor. As luzes com flashs, reflexos de almas que vagam pela noite aí... Enquanto isso, ao som do carro, acompanhava o grande Sinatra, numa maravilhosa brincadeira pelas estrelas, vendo a primavera como si só. Mas aí sim, aí me senti inabalável.

 

Caminho

quarta-feira, 28 de maio de 2014



Caminhava eu,
eu caminhava,
não via eu,
que caminha
no lugar que era seu.



Jean Bispo

Andorinha

domingo, 20 de abril de 2014




A felicidade morava a 800 milhas daqui, sim, eu sabia, era uma andorinha, voava, feliz e pura... Eu andava pelos trêns por ai, desnumbrando morros e verdes. A andorinha sorria, sorrio também, um dedo de prosa pra variar, um bom leite, café? Quem sabe... A felicidade supria a fome, não entendia toda esta furtividade da vida que se falava, pra mim o tempo era único, os dias poderia ser longos, ás vezes tão curtos que dava vontade de voltar. Tudo era livre, eu, nem tanto, mas a andorinha deu a voar, foi por caminhos que nem o vento sabe. Nisto, o verde se foi, tudo se tornou cinza, já não lembrava mais dos morros, tudo era sangue, sim, alma... Talvez tenha demorado a perceber, já não respirava, tudo estava escurecendo, tudo... Já não havia ar... Estava afogado... Não sei ainda, se o sangue era meu, ou da andorinha... Andorinha, andorinha, por onde andas, o bocado de solidão, vosmercê, não podes me deixar á mercê... Talvez o Seu João soubesse... Talvez... Ela se FOI! Gritei, quase chorando, engoli tudo que havia alí, sangue dor... Voltei, já não havia mais nada, nem mesmo a andorinha, sabes lá, se o Abreu sabes onde ela está... Talvez eu deveria sonhar menos, talvez, a Andorinha volte, sim, ela virá. Não, não virá... Até eu acordar... até...


Jean Bispo

Palavreando versos rimáticos

terça-feira, 25 de março de 2014



Mistério é como rimar a rima
escrevendo parecido
com que tem em cima, 
saber rimar não sei,
mas só por isso escrevo:
ei.
Nem todo poeta sabe rimar,
muito menos escrever,
o que ele sabe mesmo, 
é compreender.





Jean Bispo

Os outros - Cap. IV

segunda-feira, 10 de março de 2014




Cap. IV
Aves Clichês.


Sentado ali, avistava ele o mar, e as aves clichês que sempre passam voando... Não havia corvos negros, sonhos nem pessoas... muito menos sinal dos outros... Somente ele... Ele e sua mente obtusa...Mundo paralelo, ou não? Dúvida cruel do que seria aquele momento... Mas tentava imaginar ele, como pensam os outros, vida sem aves... Sem ondas... Sem o cheiro do mar... Talvez as aves não seriam clichês na cena, talvez nesta cena as aves seriam tudo, tudo, menos os outros...

Meu Ser Evaporei na Luta Insana { Bocage, in 'Rimas' }

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


Meu ser evaporei na luta insana
Do tropel de paixões que me arrastava:
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quasi imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos

Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

O passeio do poeta

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014


Quem lembra do."poeta"? Sim aquele mesmo que escrevia com a alma, observando a face da morte sobre severos espectros mentais, que escrevia tais metáforas que nem ele conseguira entender, mas o que lhe houve para ter ficado tanto tempo sem dizer uma se quer palavra? Será talvez que suas próprias palavras o engoliram? Ou será que a morte teve a sua vez? Certeza é, que a morte deu um tempo em suas funções, não lhe tem agido muito ultimamente... Será por isso que o poeta deixou de escrever... Parafrasear é o que há... Bem pois, aguardemos o termino do passeio do nosso ilustríssimo amigo com sua fiel amiga a morte... E assim veremos o resultado disto...
Pensamentos Irreais