Palavreando versos rimáticos

terça-feira, 25 de março de 2014



Mistério é como rimar a rima
escrevendo parecido
com que tem em cima, 
saber rimar não sei,
mas só por isso escrevo:
ei.
Nem todo poeta sabe rimar,
muito menos escrever,
o que ele sabe mesmo, 
é compreender.





Jean Bispo

Amar, amando, amei.

sexta-feira, 21 de março de 2014



Quem dera o amor ser fogo e não se ver... Vejo mais fogo que amor, vejo amor no fogo... Achei que amava...E amei... Cego que é o amor, não eu. Eu tinha visto... Vir tudo e não acreditei... Mas o que veio depois é o que importa... Desamor? Não sei... Talvez tenha sido o próprio amor... Amor não é paixão... Amor é essência... Tinha cheiro bom.
.. Achei que nunca mais ia amar... Achei... Achei a forma certa de amar... Não... Não é amar... É ser o amor...

Os outros - Cap. IV

segunda-feira, 10 de março de 2014




Cap. IV
Aves Clichês.


Sentado ali, avistava ele o mar, e as aves clichês que sempre passam voando... Não havia corvos negros, sonhos nem pessoas... muito menos sinal dos outros... Somente ele... Ele e sua mente obtusa...Mundo paralelo, ou não? Dúvida cruel do que seria aquele momento... Mas tentava imaginar ele, como pensam os outros, vida sem aves... Sem ondas... Sem o cheiro do mar... Talvez as aves não seriam clichês na cena, talvez nesta cena as aves seriam tudo, tudo, menos os outros...

Alegoria das Flores

sábado, 22 de fevereiro de 2014





O discernimento da vida sempre foi e há de ser um grande mistério, sê lá, a vida o prelúdio da morte, será a morte mesmo mais longa que a vida? Seria a vida capaz se sentir o que se sente na morte? Rico, pobre e morto... Todos em pó. Quem sou eu em 7 bilhões? Quem sou eu nos astros, dentro do universo que não se mede, dentro de outro universo paralelo que se morre... Flores a terra... Terra e Flores...
Talvez para muitos, o outro vale mais que a vida... É bem lógico, se morre, e o ouro fica... Será que há algo aqui que não se corrompa? Que não se corroa? Será que é possível viver aqui? Medo de morrer? HAHAHA, tenho medo de viver, onde está a morte, tudo é eterno... Aqui pereço, e saem fagulhas de mim... Deixo pedaços meu pelo mundo... Quem é você? Será você, eu mesmo? O que você é? Humano, animal? Morte? Por onde ando, vejo gente feliz, gente triste, e gente morta... Sinto que sou os três, quem sou eu? Talvez sua alma esteja na minha... Talvez eu veja nos seus olhos a esperança... Dê rosas hoje, as de amanhã se afundam na terra, quem recebe não vê, não sente o cheiro... Nem mesmo o engano nisto...
Queria ser filosofo e criar a alegoria das flores, morra ou viva... Seja ou Não Seja. A vida não é a questão... A questão, é a morte, as flores, e o que se fez com elas... 



                                                   “Não me traga rosas quando eu estiver morto. Quando a Morte reivindicar a luz da minha fronte, nenhuma flor de vida me reanimar : ao invés, você pode me dar rosas agora!”
Thomas F. Healey

Meu Ser Evaporei na Luta Insana { Bocage, in 'Rimas' }

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014


Meu ser evaporei na luta insana
Do tropel de paixões que me arrastava:
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quasi imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos

Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.

Inconstância

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014



É um vai e vem louco e aqui estou, em paranoias e paradoxos sem fim, inconstância de fatos que me alertam, que ignoro, onde a paz não vejo faz tempo, sou uma inconstante variável no tempo, causo inconstâncias no vento, pelo próprio vento queria ser passarinho, ser guiado pela inconstância de outro alguém. Está bom ser eu mesmo, tão inconstante, que faço da ausência de inspiração, uma inspiração, uma inspiração constante. 




Jean Bispo


Pensamentos Irreais