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Alforria

quarta-feira, 21 de março de 2018




O tempo passara depressa, mas enfim, logo estávamos apontando na reta, indo a caminho da liberdade, liberdade que ainda haveremos de descobrir , ninguém se dava conta realmente do que se esperava, a visão de lá é inigualável, é tão única, que se é possível tê-la apenas uma vez na vida, acredito eu que todos ali queriam fazer isso mais vezes, todos queriam voltar no passado e sentir tudo aquilo de novo, mistura de dor e felicidade, acredito eu que tenha alguma alma penada que não seja de acordo com isto, nem se quer o mais incrédulo dos poderes "místicos" daquele lugar . Já eu, eu não sabia nem o que estava sentindo, sentia tudo e mais um pouco, eu via um dia quase fúnebre em meio a tantos sorrisos. O coração palpitava mais que nunca, mas finalmente estava lá, descendo aquela avenida, a marchadas largas, ouvindo o soar do bumbo, sentindo o sangue correr, vendo as pessoas nos olharem nos olhos, e nos aplaudirem, a gritarem e festejarem, enfim tomei-me por lúcido, lembrei que ao menos naquele momento eu tinha que ser perfeito nos movimentos, pela ultima vez.



texto perdido entre os rascunhos de 2013/2014

O cosmo

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018



Paz e Harmonia! Grita o rapaz, não obstante ao microcosmo presente, o caos permeia o ambiente. O que reina é a conjuntura e não um fio de cabelo. Se tudo passa por uma eternidade, como assim deve ser, bem provável que nosso tempo seja lento de mais para presenciar a beleza e majestade do tudo. Cosmo é um rapaz esperto, não é porque um grão de areia ferve em guerra, debates, até invariavelmente em amor, que Cosmo deixa de ser tudo aquilo a que foi destinado, uma colorida orquestra de singela e eterna paz, e de canções harmônicas.

O Tempo

domingo, 31 de dezembro de 2017



Para uns o tempo é uma dádiva, para outros é apenas a mensuração entre a ocorrência de dois ou mais eventos, e para alguns o tempo é o tempo. A verdade é que se o tempo é relativo, ele potencialmente pode não existir, sendo assim, nem o futuro e nem o passado existe, aliás, o passado pode existir nas memorias fotográficas por ai. Sendo o presente a única coisa existente, talvez há de se concordar com a dádiva, mas a questão é, sobre o presente pode pesar um passado inteiro sem ao menos existir mais, castelos e mansões que protegem, ou muralhas em ruínas com brechas de paradoxos temporais. E sobre o futuro, nem se quer existe pra esperar algo, pra ser algo, pra dizer algo, não aconteceu, futuro é meramente produto não existencial do presente, é preciso viver o presente para que o futuro talvez exista, mesmo assim ainda é necessário viver, problema mesmo são os fantasmas, que claro não existem como o passado, mas sempre há quem os veja. Talvez o tempo não seja tão dadiva assim. Assombra, destrói assim como constrói, é bem possível que o tempo seja só o tempo, ou talvez a medida de duas coisas que nem se quer existem.

Quem 'são' negro?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016



O que é negro? Não vejo negro. Vejo gente. Gente sem cor. Quem é negro?! Só vejo gente sofrida e humilde, mas feliz. Quem não é negro? Vejo mais gente tentando ser feliz em suas gravatas. Mas o que é negro? Sinceramente, não sei. Nunca enxerguei cores, nunca me apeguei a elas... Enxerguei horrores... Enxerguei loucuras. Sabe o que vejo, vejo gente que enxerga cor, que acha legal e bonito ter uma cor. E as vezes pouca gente que não gosta de outra cor. Vejo gente que se diz "esclarecida", remoendo a dor que já morreu, e gente que não diz nada, causando a dor que nunca viveu. Sim, não vejo cor, vejo loucura, dor e um sonho.



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Sim, eu voltei... Eu acho...

O café

domingo, 23 de novembro de 2014




Era um sábado ensolarado, para ele um dia perfeito pra passear com Hansk, um labrador de 3 anos. O mesmo que havia o acordado bem cedo, com longas e molhadas lambidas.

Já na rua, depois dos preparatórios, Hansk era bem quieto, parecia aproveitar os cenários urbanos, diferente dos antigos cães dele, um desses que certo dia quase o joga num bueiro, aberto por causa de umas obras.

Ambos caminharam até que ele parou em um daqueles cafés, estilo europeu: mesas e cadeiras postas ao lado de fora. Momento até que comum nos sábados de ambos, estavam perfeitamente acostumados com os rostos ali. Até que surgiu um senhor de meia idade, já de cabeça branca, que vendo as mesas ocupadas foi em sua direção, e perguntou gentilmente:

 - Bom dia, espera companhia senhor?
 - Não, não, ficaria lisonjeado se nos acompanhasse no café - Respondeu ele.
 - Obrigado, meu nome é Romeu... Ahnn... Quantos anos tem? - Perguntou o idoso.
 - Ah, o Hansk? Tem 3 anos - Respondeu ele acariciando a cabeça do seu cãozinho.
 - Não, haha, imagino que não está acostumado que te perguntem a tua idade. - Respondeu Romeu rindo.
 - Ah, perdão, tenho 26 - Respondeu ele com um leve sorriso.
 - Hum, para você meu Jovem, qual o sentido da vida? - Perguntou o velho.
 - Ah meu caro senhor, vivo por descobrir isso, ora penso que é para ser feliz, ora penso que é para fazer outros felizes, mas nisso até a ciência se perde... Mas e para o senhor? - Respondeu ele.
 - Ah para mim a vida é como atravessar uma faixa de pedestres, nascemos de um lado, e ao longo da vida ás vezes carregamos alguém, ás vezes somos carregados... - Explicou o velho com um ar de sabedoria.
 - Hum, entendi, e o senhor acha que está em que parte da faixa? E o outro lado da faixa seria a morte? - Perguntou ele.
 - Nunca sai do lugar meu jovem, mas assim que morrer atravessarei para ver, talvez grite pra você o que há lá, não tenha esperanças, meu pai me disse a mesma coisa, acho que o lado de lá o entreteu deveras para que possa se lembrar do grito. - Respondeu o velho Romeu.
 - Mas agora eu não entendi. Se o senhor está no mesmo lugar, então nunca carregou ninguém e nunca foi carregado? - Perguntou ele instigado.
 - Hahaha, sabia que perguntaria, carreguei e fui carregado sim, porém ninguém nunca sai do lugar para isso, inclusive estamos carregando um ao outro. Meu jovem, a travessia não é somente a vida, mas também a morte, vê esta xícara de café? De nada te serve lá... Mas certamente o Hansk estará com você, você o carregará. De que adianta vir aqui e todo os dias tomar o café mais caro, se não vivermos os mais puros e singelos sentimentos? Esta nossa vida foi feita para morte, não somos imortais, carregue o que te valerá apena...

Para ele, depois daquele sábado, tomar café nunca mais foi a mesma coisa.
Pensamentos Irreais