Bêbado

domingo, 4 de agosto de 2024




Seria eu o mais covarde dos homens? Não quis arriscar, com medo, ainda não sei exatamente do que.
Olho agora eu para o passado, com um falso orgulho, feliz pelo herói que imagino que era. Ora, covarde, fui vilão. 

O detetive denunciou o circo que era meu coração. Confuso que era, derrubando o equilibrista, fazendo malabarismo a mil. 

Não me orgulho mais, pareço uma cópia mal feita do poeta bêbado solitário, bradando pelos becos de Los Angeles os romances mais febrís. 

Ainda digo a verdade que vi, mas quem disse que tenho que dizê-las? Quem me o ordenou bradá-las? Sei que ninguém tem coragem em dizê-las. Em meu peito ódio, raiva, rancor da crescente sordidez mundana. Mas, no fundo, eu e você sabemos, odeio quem me trouxe até aqui deste jeito, malditas pernas bêbadas: odeio a mim mesmo.

E foi com essa piada que fiz o Pagliacci sorrir.


Tudo

domingo, 28 de agosto de 2022

 


Conte-me sobre as estrelas que deixaram de brilhar

Sobre os astros que vagam pelo espaço sem destino,

Dos mundos solitários e frios que são eternos

Da vida que sobrepuja a lógica em milhares de anos luz

Da ínfima poeira que é artista e de longe brilha

Daquilo que silencia os físicos

Dos quasares que pulsam como coração

Do silêncio eterno da vida

Da insignificância pequena do ser

Venha, sente ao meu lado e conte-me tudo.

Mar

segunda-feira, 11 de julho de 2022


A sordidez do mar questionando meu destino,

balança meu barco do presente.

Velas abertas e o vento repentino,

sussurrando para um coração ausente.

Onde está minha âncora? 
Me perdi na objeção desse mar. 

Sombra

quarta-feira, 11 de maio de 2022


Caminha pelas ruas da cidade, sob a escuridão da noite, esgueirando-se pelas penumbras. Lembrava-se céptico de como um passado feliz tornou-se deprimente como trevas. Pobre infeliz, mal sabes que a sombra é o passado da luz. Ela o acompanha pelo breu das ruas simplesmente pra lembrá-lo que a luz existe. E certamente logo pela manhã, a luz brilhará lá fora.

Dança

segunda-feira, 8 de novembro de 2021



Quero te ver,
quero te abraçar.
Quero sua cabeça em meu ombro,
quero dançar contigo na chuva,
quero ao som dos anos 50,
quero que o tempo pare.

Quer te ver, 
te abraçar de novo, 
quero continuar dançando,
até que a vida pare,
quero dançar,
quero você.

Fragmento: Felicidade e Angustia

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

A felicidade é um compêndio de dor em que a angustia contabiliza o respirar... Inspira... expira... Neste exato ritmo como uma canção alegre e dançante.

Pensamentos Irreais