Eu sou um fantasma. Sim daqueles que não sentem nada e não se pode ver. Eu vi a morte com meus próprios olhos, e, adivinha... Não quero nem lembrar. Mas vi o suficiente para me arrepender de uma vida inteira, alias, o que é isso mesmo? Hahaha. Medo, angustia, aflição, sim em todo o momento eu estava lá, não podia errar um dia sequer, falhar não era opção. O mundo dependia de mim, mas que ironia, ele já me esqueceu faz tempo. Recordo que empunhei minha espada, estava banhado de sangue que não era meu, derramei o suficiente para umas 100 vidas, peito rasgado, tirei minha armadura para ser mais rápido, e eis o fim. Existe forma nobre de morrer? O que há de belo na morte? O céu estava escuro, a natureza já se preparava para a fúnebre batalha, chovia, havia lama, meus pés estavam pesados, mas não desisti um minuto sequer. Meu corpo inteiro doía, minha alma doía, porém o espírito ainda era inabalável. De que adiantou uma vida inteira, se em um segundo não fui valente e forte o suficiente para sobreviver? Lembro-me de outra espada perfurando as minhas costas, a dor era como se o mundo caísse sobre mim, porém em poucos instantes cessou. E eu ouvia a chuva, o metal, e mais chuva, mas tudo escurecia, já não enxergava mais nada... Aliás, vi, vi ela passando por ali, como se fosse um dia qualquer, eu vi a morte.
sábado, 31 de julho de 2021
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Fantasma
sábado, 31 de julho de 2021
sábado, 8 de maio de 2021
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Girassol
sábado, 8 de maio de 2021
Aponte-me a luz girassol, ouço o bramido da espada, o vento que sopra para o norte. Não murches girassol, olhe para o sol, guia entre as estrelas, não te abales as escuridões das noites, não te confundas a luz da lua. Respira girassol, o amanhã chegará assim como ontem se foi, resplandeça tua cor hoje, o amanhã ainda não existe. Amo-te girassol, singela beleza das flores. Ame girassol, teu mundo não é só, é sol. Não chores girassol, o nosso rei não tarda, e o príncipe estás a chegar.
sábado, 13 de março de 2021
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Outro tempo
sábado, 13 de março de 2021
inerte, propositivo,
é o passado, é o presente,
é o que está vindo.
O tempo é tudo,
substrato, apocalíptico,
é caótico, é pacífico,
é infantil, mas mudo.
O tempo é nada,
perfeito, imperfeito,
é o riso, é o choro,
é a realidade e a fada
O tempo voou,
é, esteve,
é o nunca, é o impossível,
o tempo é o que estou.
Eu sou o tempo.
segunda-feira, 21 de setembro de 2020
domingo, 14 de junho de 2020
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Saudades de quando tudo no mundo era novo.
Saudades II
domingo, 14 de junho de 2020
De quando cada coisa tinha seu cheiro, tudo estava no seu devido lugar.
De quando nem tudo era pressa, de quando o dia era dia, noite era noite, de quando o amanhã de fato era amanhã.
De quando toda noção de dor se resumia no menor espaço possível do universo, de quando nada doía de verdade.
Saudades de quando um olhar era um olhar, um beijo era um beijo e o sentimento era o sentimento.
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