Bêbado

domingo, 4 de agosto de 2024




Seria eu o mais covarde dos homens? Não quis arriscar, com medo, ainda não sei exatamente do que.
Olho agora eu para o passado, com um falso orgulho, feliz pelo herói que imagino que era. Ora, covarde, fui vilão. 

O detetive denunciou o circo que era meu coração. Confuso que era, derrubando o equilibrista, fazendo malabarismo a mil. 

Não me orgulho mais, pareço uma cópia mal feita do poeta bêbado solitário, bradando pelos becos de Los Angeles os romances mais febrís. 

Ainda digo a verdade que vi, mas quem disse que tenho que dizê-las? Quem me o ordenou bradá-las? Sei que ninguém tem coragem em dizê-las. Em meu peito ódio, raiva, rancor da crescente sordidez mundana. Mas, no fundo, eu e você sabemos, odeio quem me trouxe até aqui deste jeito, malditas pernas bêbadas: odeio a mim mesmo.

E foi com essa piada que fiz o Pagliacci sorrir.


Pensamentos Irreais